Perdido e Sem Tradução: Uma Pesquisa Científica

A tradução científica precisa é vital!

As universidades podem contratar tradutores com base científica, assim como contratam especialistas técnicos

Todos sabemos que se você quer ser um cientista profissional no século 21, você precisa se comunicar em inglês.  Isso não é um problema se você tiver a sorte de ter pais falantes da língua inglesa, mas pense na maioria dos cientistas do mundo que são obrigados a comunicar as sutilezas e o significado de suas pesquisas em uma língua estrangeira e idiossincrática.

Uma preposição mal colocada ou uma má escolha de verbo pode arruinar uma narrativa convincente, reduzindo a probabilidade de publicação em uma revista de renome internacional e limitando o impacto da sua pesquisa.  Isso não é só ruim para os cientistas que lutam para transmitir o seu trabalho, mas é ruim também para a ciência.

A ciência necessita de pessoal mais capacitado que possa derrubar as barreiras da linguagem.

Há uma urgência particular nessa necessidade em áreas como as ciências ambientais e agronômicas nas quais é cada vez mais apreciado que as intervenções regionais e locais possam ter impactos globais.

Em um esforço para divulgar seu trabalho, muitos cientistas estrangeiros gastam recursos de pesquisa preciosos em serviços de tradução privados.  Mas os tradutores comuns podem não entender de ciência, a estrutura de artigos científicos ou a linguagem técnica.  A única alternativa é confiar em colegas bilíngues para oferecer serviços de tradução como um favor.

Mas em um artigo recente da revista Ambio: A Journal of the Human Environment (Um Registro do Ambiente Humano), sugerimos que departamentos universitários de países não anglófonos possam contratar tradutores profissionais com base em ciência, assim como contratam estatísticos e especialistas técnicos.  Alternativamente, eles poderiam oferecer posições atraentes para pesquisadores bilíngues ou nativos de língua inglesa, com uma porcentagem de seu tempo reservado para ajudar os colegas a traduzir, editar ou redigir papéis e outros resultados de pesquisa.  Tais cargos podem ser permanentes ou oferecidos de forma fixa para os acadêmicos visitantes.

Muito depreciado é o papel potencialmente importante dos tradutores nas universidades dos países de língua inglesa.

Traduzir uma pesquisa para qualquer uma das principais línguas do mundo (mandarim, espanhol, português ou francês) poderia aumentar a taxa de citação de um papel.  De fato, a produtividade total em ciências ambientais, biológicas e agrícolas para os países que falam essas quatro línguas é responsável por um quinto da pesquisa publicada globalmente.  A tradução de artigos em diferentes idiomas deve garantir uma acumulação de dados mais rápida, apoiando ou refutando hipóteses e aumentando o compartilhamento de conhecimento em áreas aplicadas, como agronomia ou conservação, em alguns países onde a publicação em língua inglesa e a citação não são realizadas atualmente.

Mesmo desejando que esses novos papéis se desenvolvam, os pesquisadores individuais também podem recorrer a alguns dos modelos existentes para a publicação de traduções.  Algumas revistas em língua inglesa em ciências ambientais, biológicas e agrícolas, por exemplo, publicam resumos em espanhol ou francês.  Algumas revistas produzem traduções de trabalhos originalmente publicados em revistas no exterior.  Outros publicam artigos em múltiplas línguas – embora, lamentavelmente, alguns desistiram essa prática.

Outra ideia seria que as revistas fornecessem versões somente on-line de documentos originais em tradução;

Isso poderia ser oferecido como uma opção sob modelo de livre acesso de pagamento para publicação.  Os próprios pesquisadores podem publicar as traduções de seus artigos em seus sites de laboratório, ou em redes sociais científicas como o Research Gate.  As universidades poderiam desenvolver arquivos on-line e livremente disponíveis de suas publicações de pesquisa mais importantes, traduzidas para idiomas estrangeiros direcionados.  Esta poderia ser uma forma de aumentar seu perfil internacional, criando novas redes acadêmicas e novos espaços para colaboração.

A ciência nunca é apenas sobre os dados.  A linguagem em que comunicamos afeta nossa confiança e nossa capacidade de persuadir, nossa expressão de idéias e informações complexas e matizadas e nossos julgamentos sobre o valor das novas idéias e seus autores.  Um dia, os computadores podem ser capazes de fazer traduções científicas precisas, mas até então os cientistas precisam de toda a ajuda que conseguirem.